Habitação em Portugal: O Ano em que os Recordes Foram Pulverizados
Este é, talvez, o relatório mais impactante que o Instituto Nacional de Estatística (INE) lançou nos últimos anos. No Linha Base, analisamos estes números com a seriedade que o tema exige: estamos perante a maior subida de preços das casas em Portugal desde que há registo. Se sente que comprar casa se tornou uma missão quase impossível, os dados confirmam que a sua perceção está correta. Vamos mergulhar nos detalhes deste "ano de recordes" e perceber o que mudou no mercado imobiliário em 2025.
ATUALIDADEIMOBILIÁRIO
3/25/2026
O mercado imobiliário português viveu um 2025 frenético. Segundo o INE, o índice de preços da habitação disparou 17,6%, um valor que não só é o mais alto da série disponível, como representa um salto gigante face aos 8,5% registados em 2024.
Estamos a falar de um mercado que movimentou a quantia astronómica de 41.200 milhões de euros num único ano. Para termos uma escala, isto é um aumento de quase 22% no valor total das transações face ao ano anterior. Mas o que é que estes números nos dizem sobre quem está a comprar e o que está a ser comprado?
1. Casas Usadas "Vencem" as Casas Novas
Um dos dados mais curiosos deste relatório é que a subida de preços foi mais agressiva nas casas já existentes (usadas), com um aumento médio de 18,9%, do que nas habitações novas, que subiram 14,2%.
Isto acontece porque a oferta de construção nova continua a ser insuficiente para a procura galopante. Quem não consegue esperar por uma obra nova acaba por se virar para o mercado de usados, inflacionando os preços de imóveis que, muitas vezes, ainda precisam de obras de reabilitação.
2. São as Famílias Portuguesas que Estão a Comprar
Ao contrário do mito de que o mercado é dominado apenas por investidores estrangeiros, os dados de 2025 mostram que 95% das transações foram feitas por compradores com domicílio fiscal em Portugal. Pelo terceiro ano consecutivo, o número de compradores estrangeiros reduziu (uma queda de 13,3%).
Isto significa que são as famílias residentes em Portugal que estão a suportar este mercado, representando 87,5% do total das vendas. É o registo mais elevado desde 2019, o que demonstra uma pressão enorme sobre os orçamentos domésticos para garantir o direito à habitação.
3. O Mapa do Imobiliário: Lisboa Perde Peso, o Norte e o Centro Ganham
Embora a Grande Lisboa continue a ser o motor financeiro — concentrando 30% do valor total das transações (12,4 mil milhões de euros) —, a sua quota no mercado está a descer.
As famílias estão a "fugir" dos preços proibitivos da capital e a procurar alternativas:
Norte: Consolidou-se como uma região fortíssima, representando 25,6% do valor total das transações.
Centro, Oeste e Vale do Tejo: Foram as regiões que registaram os maiores aumentos na quota de mercado.
Península de Setúbal: Também viu o seu peso aumentar, servindo de alternativa residencial à cidade de Lisboa.
4. O Travão do Último Trimestre
Nem tudo foi uma subida imparável. Entre outubro e dezembro de 2025, registou-se a primeira quebra no número de transações desde o início de 2024 (uma queda de 4,7%).
O que é que isto nos diz? Que os preços atingiram um patamar tão elevado que o número de pessoas com capacidade financeira para comprar começou a diminuir. No entanto, menos vendas não significou preços mais baixos: no último trimestre, os preços das casas usadas continuaram a subir uns impressionantes 20,9% em termos homólogos.
O Peso da Subida na Carteira
Para percebermos o impacto real: imagine uma casa que em 2024 custava 200.000€. Com a subida média de 17,6% registada em 2025, essa mesma casa passou a custar cerca de 235.200€ apenas um ano depois.
Para uma família que esteja a poupar para a entrada (os habituais 10%), isto significa que precisava de ter mais 3.520€ poupados apenas para cobrir o aumento do valor da entrada, sem contar com o aumento dos impostos (IMT e Imposto de Selo) e das prestações bancárias.
Um Mercado em Ebulição
No Linha Base, olhamos para estes dados com preocupação pela acessibilidade das famílias, mas também como um alerta para quem está a pensar vender ou investir. Portugal nunca viu uma subida de preços tão acentuada.
A questão que fica para 2026 é se este abrandamento no número de vendas no final do ano passado é o sinal de que o mercado atingiu o seu limite ou se a escassez de oferta continuará a empurrar os preços para novos recordes. Uma coisa é certa: o imobiliário continua a ser o maior desafio financeiro dos portugueses.
Aviso Legal: O conteúdo deste artigo é meramente educativo e informativo. Não fornecemos recomendações de decisões financeiras ou imobiliárias. Apenas fornecemos informação para que o leitor tome decisões da forma mais informada possível. Os dados apresentados referem-se a estatísticas oficiais do INE relativas ao ano de 2025.
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