Portugal na Europa: Mais crescimento, mas menos poder de compra?
Os dados mais recentes da Pordata, que comparam Portugal com os restantes 27 países da União Europeia, trazem uma realidade agridoce. Por um lado, somos o 6.º país da UE onde a economia mais cresceu nos últimos quatro anos. Por outro, o nosso poder de compra continua na cauda da Europa. Na prática, isto significa que, embora o país esteja a produzir mais, o dinheiro que chega ao bolso das famílias não chega para acompanhar o custo de vida, especialmente quando falamos de um bem essencial: a casa.
ATUALIDADE
2/26/2026
Os dados mais recentes da Pordata, que comparam Portugal com os restantes 27 países da União Europeia, trazem uma realidade agridoce. Por um lado, somos o 6.º país da UE onde a economia mais cresceu nos últimos quatro anos. Por outro, o nosso poder de compra continua na cauda da Europa.
Para tornar estes números fáceis de entender, a Pordata usou o exemplo do "cabaz de bens essenciais".
Com o rendimento médio anual em Portugal, um cidadão consegue comprar apenas 11 cabazes.
No Luxemburgo, com o rendimento médio local, compra-se o equivalente a 24 cabazes.
Isto explica por que razão, mesmo sendo o 17.º país onde o cabaz é mais barato, sentimos tanto peso nas contas do supermercado. O problema não é apenas o preço das coisas, mas sim o facto de os nossos salários serem o 6.º poder de compra mais baixo da União.
Habitação: A tempestade perfeita
Se o supermercado está difícil, o mercado imobiliário é um autêntico "pesadelo" estatístico. Desde 2020, Portugal foi o segundo país da UE onde os preços das casas mais subiram (24,1%), ficando apenas atrás da Grécia.
Enquanto em países como a Finlândia os preços desceram mais de 16%, por cá a subida foi imparável. Esta combinação de baixos salários + subida recorde na habitação é o que está a sufocar a classe média e os jovens portugueses.
A corrida que nunca acaba
Imagine o caso do Ricardo. Em 2020, ele começou a poupar para a entrada de uma casa. Quatro anos depois, apesar de ter trabalhado mais e de o seu salário ter subido ligeiramente (acompanhando o crescimento nominal do PIB), a casa que ele queria ficou 24% mais cara. Na verdade, o Ricardo está agora mais longe de comprar casa do que estava há quatro anos. É o efeito de estar num país que cresce na macroeconomia, mas que falha na acessibilidade básica.
O que podemos fazer?
Os números da Pordata mostram que Portugal é um país de contrastes: somos excelentes a reduzir emissões de gases e a crescer economicamente, mas falhamos na reciclagem e na produtividade (onde somos o 19.º país mais baixo).
Para o leitor do Linha Base, a lição é clara: num país onde a habitação sobe muito acima dos rendimentos, o planeamento financeiro e a criação de fontes de rendimento extra deixam de ser uma opção e passam a ser uma necessidade de sobrevivência.
Aviso Legal: O conteúdo deste artigo é meramente educativo e informativo. Não fornecemos recomendações de decisões financeiras ou de investimento. Apenas fornecemos informação para que o leitor tome decisões da forma mais informada possível.
Finanças
Dicas práticas para gestão e literacia financeira no dia a dia.
© 2025. All rights reserved.
