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Tudo subiu imenso!": Porque é que sentimos que a inflação é maior do que dizem os números?

Este é um daqueles temas que costuma gerar muita discussão à mesa do jantar. Afinal, quem nunca sentiu que os 50€ no supermercado trazem cada vez menos sacos, mesmo quando as notícias dizem que a inflação está a baixar? No Linha Base, analisámos os dados recentes do Banco de Portugal que explicam este fenómeno: a diferença entre a inflação que os números mostram e a inflação que o nosso coração (e a nossa carteira) sente.

ATUALIDADE

3/3/2026

a woman sitting at a table looking at her cell phone
a woman sitting at a table looking at her cell phone

Se tem a sensação de que os preços aumentaram muito mais do que os valores oficiais indicam, saiba que não está sozinho. O Banco de Portugal confirmou, num relatório publicado esta sexta-feira, que a inflação percebida pelos consumidores é sistematicamente superior à inflação observada.

Ou seja: os números dizem uma coisa, mas a nossa perceção diz outra, muito mais pessimista. E a ciência económica explica por que é que isto acontece.

Os 3 motivos que "enganam" o nosso cérebro

Segundo o regulador, há três razões principais para esta diferença de sensações:

  1. O foco nos bens essenciais: Nós não compramos um computador ou um frigorífico todos os meses, mas compramos leite, pão e ovos todas as semanas. Como estes bens essenciais têm subido acima da média, a nossa mente ignora que outros produtos estabilizaram e foca-se apenas no que nos custa mais no dia a dia.

  2. Memória de Longo Prazo: Tendemos a comparar os preços de hoje com os de 2019 (antes da pandemia e da guerra), em vez de compararmos com o mês passado. Ao olharmos para esse salto temporal, o choque é muito maior, e interpretamos preços elevados como se a inflação continuasse a subir em flecha.

  3. Adaptação Lenta: O nosso cérebro demora a processar boas notícias. Quando a inflação desce, as nossas perceções demoram muito mais tempo a ajustar-se do que quando os preços sobem. Reagimos rápido ao medo, mas devagar ao alívio.

A Inflação Observada vs. Percebida

A inflação observada é a medida real da variação dos preços de milhares de produtos. Já a percebida é baseada no inquérito direto às famílias. Em Portugal, esta última foi quase sempre superior à realidade na última década.

A "armadilha" do café e do pão

Imagine o Sr. Joaquim. O café que ele bebia a 0,60€ passou para 0,80€. É um aumento de cerca de 33%. Embora o computador que ele quer comprar até tenha baixado de preço ou a conta da luz tenha estabilizado, o Sr. Joaquim vai chegar a casa a dizer que "tudo subiu 30%".

É aqui que a literacia financeira entra: para gerirmos bem o nosso dinheiro, temos de separar a emoção dos dados. Se basearmos as nossas decisões apenas na "sensação de que tudo está caro", podemos deixar de aproveitar oportunidades de poupança ou investimento por puro receio psicológico.

Conclusão

No Linha Base, o nosso conselho é simples: não ignore o que sente, mas confie nos seus próprios registos. Tenha uma folha de Excel ou uma App onde anota os seus gastos reais. Só assim saberá se a sua inflação pessoal está a subir ou se é apenas o seu cérebro a pregar-lhe uma partida.

A inflação pode estar a moderar-se em 2026, mas a nossa mente ainda vive no trauma dos últimos três anos. Saber isto é o primeiro passo para recuperar o controlo das suas finanças

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Aviso Legal: O conteúdo deste artigo é meramente educativo e informativo. Não fornecemos recomendações de decisões financeiras. Apenas fornecemos informação para que o leitor tome decisões da forma mais informada possível.